Ler Resumo
Após perderem um processo contra o tabloide britânico Daily Mail, o príncipe Harry e os co-autores da ação – entre eles, o cantor Elton John – podem perder milhões de libras. Isso porque a Associated Newspapers Limited (ANL), editora dona do veículo de comunicação, alega que os custos relacionados à defesa foram maiores que o valor coberto pelo seguro da empresa, segundo reportagem publicada pelo The Guardian nesta quarta-feira, 29.
+ Príncipe Harry e Elton John perdem processo multimilionário contra tabloide britânico
Enquanto a quantia gasta pela editora com advogados foi de £34,5 milhões, o seguro só disponibilizou o valor de £16,2 milhões. A diferença, de £18,3 milhões teria que ser paga pelos autores do processo, de acordo com o desenrolar da audiência que começou nesta quarta-feira no tribunal superior de Londres.
Antony White KC, advogado da ANL, disse que as afirmações eram “de amplo alcance e extrema seriedade”, e por isso seria justificável o pagamento dos custos com base no princípio de indenização integral. White também afirmou que a ação judicial faz parte de uma “campanha” para demonstrar que a editora havia “enganado a investigação Leveson”, um inquérito britânico criado em 2011 para examinar a ética, as práticas da imprensa e as relações entre jornalistas, políticos e a polícia.
Segundo o jurista, a intenção por trás do processo era a de que mesmo que as alegações não fossem comprovadas, qualquer veredito desfavorável à ANL seria uma “catástrofe” para a editora. Para ele, os autores da ação lançaram uma rede “na esperança de pegar algum peixe”.
O processo
O príncipe Harry perdeu um processo judicial em curso desde 2022 contra os editores do tabloide britânico Daily Mail, no início deste mês. O processo alegava que o jornal havia usado métodos ilegais, como grampeamentos de telefones e pagamentos a policiais corruptos, para obter informações. A ação também era movida por outras seis pessoas, incluindo o cantor Elton John e o ex-ministro do Partido Liberal Democrata, Simon Hughes.
O grupo acusava a editora de “uso claro, sistemático e contínuo de coleta ilegal de informações” por anos, citando dezenas de jornalistas e investigadores particulares. Foram apresentadas 55 matérias publicadas entre 1997 e 2015, além três incidentes que não viraram artigos, com supostos indícios de coleta ilícita de informações.
O tribunal afirmou que nenhum dos requerentes conseguiu comprovar as alegações, que apontam violação de privacidade por parte dos jornalistas do Daily Mail e do Mail on Sunday. Segundo as acusações, os profissionais teriam grampeado telefones fixos e instalado dispositivos de escuta em casas e carros dos famosos. A editora Associated Newspapers negou veementemente as ações.
O juiz Matthew Nicklin afirmou que os reclamantes deveriam ter provado que as informações publicadas no veículo foram obtidas ilegalmente e que somente a suspeita não é suficiente.
“O tribunal rejeitou o argumento de que, simplesmente pelo fato de a informação ser privada e de a Associated Newspapers Limited (ANL) não conseguir explicar de forma conclusiva como a tinha obtido, o artigo em questão tivesse necessariamente sido obtido de forma ilegal”, escreveu o magistrado.


