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Pelo menos 34 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira 30, tentando chegar a nado à cidade autônoma espanhola de Ceuta, no norte da África. Quase 60 mil imigrantes, sendo a maioria jovens marroquinos, atravessaram a fronteira entre o Marrocos e a Espanha nas últimas 24 horas, em um novo episódio da crise migratória que pressiona a cidade costeira.
Seis corpos foram retirados do mar na manhã desta sexta-feira, 31, segundo fontes policiais espanholas citadas pela agência de notícias EFE.
A movimentação se intensificou a partir do meio-dia de quinta-feira e superou amplamente a crise registrada em 2021, quando mais de 10 mil migrantes chegaram, em apenas dois dias, à cidade autônoma vindos do Marrocos.
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chegaram a Ceuta nesta sexta-feira para se reunir com autoridades locais e chefes de segurança.
Sánchez chamou de “violação e ataque à integridade territorial da Espanha” a chegada em massa das dezenas de milhares de imigrantes. “O governo da Espanha está com a cidade de Ceuta”, afirmou ele. “Nos responsabilizamos pelo estado emocional, pela situação de angústia que vocês estão vivendo nas últimas horas”.
O premiê também atribuiu a crise no enclave a uma “interpretação tendenciosa” por parte de “máfias do tráfico humano” de uma recente decisão judicial sobre a repatriação de migrantes que chegam por mar. O líder socialista explicou que, nos últimos dias, houve uma “disseminação nas redes sociais, por meio dessas máfias” de uma decisão do Supremo Tribunal espanhol segundo a qual “aqueles que entram em nosso território a nado, por mar, não têm direito à repatriação”.
Crise migratória
A situação agrava uma crise migratória que já vinha se intensificando este mês. Antes da chegada em massa desta quinta-feira, mais de 1,5 mil migrantes já haviam alcançado Ceuta na semana passada, segundo autoridades locais. O centro de acolhimento de imigrantes da cidade opera acima da capacidade e, na quarta-feira, mais de 400 pessoas já aguardavam uma vaga.
O Ministério do Interior da Espanha declarou que grupos criminosos teriam usado uma recente decisão do Supremo Tribunal para estimular a tentativa de entrada no território espanhol. A sentença determinou que pessoas que chegam ao país pelo mar de forma irregular não podem ser devolvidas imediatamente a outro Estado.
Diante da crise, o governo da Espanha enviou militares para apoiar a Guarda Civil e reforçou o efetivo policial responsável pela segurança de Ceuta. As autoridades também destacaram que haviam concordado com Rabat em tomar medidas para devolver “o mais rápido possível” para Marrocos “todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta”.
“Estamos em uma situação de absoluta emergência humanitária e social”, alertou o prefeito-presidente de Ceuta, Juan Vivas, à televisão pública espanhola TVE.
Localizada na costa norte da África, em frente ao Estreito de Gibraltar, Ceuta, juntamente com Melilla, constitui a única fronteira terrestre entre a União Europeia e o continente africano. As duas cidades autônomas espanholas registram com frequência ondas de tentativas de travessia de migrantes que buscam entrar na Europa.


